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Que os animais são inteligentes todo mundo sabe. Basta ter um cachorro ou gato em casa para assistir, diariamente, suas criativas proezas em busca de atenção ou para nos fazer dar a eles algo que desejam. Mas a questão agora é mais profunda.

Até um tempo atrás tudo o que os animais faziam era reconhecido como “puro instinto”, mas à medida que eles foram aprendendo a se comunicar conosco e realizando coisas que não dizem respeito a sua sobrevivência, os cientistas começaram a enxergar que eles são dotados de cognição – um elemento que durante séculos posicionou o humano como o único ser vivo “pensante e autoconsciente”.

Cognição é a absorção de conhecimento por meio da percepção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem. E ainda que os animais não tenham todos esses processos tão complexos quanto nos humanos, só o fato de possuírem cognição os torna seres conscientes e capazes de planejar ações.

Durante os anos 80, o teste de reconhecimento de si mesmo diante do espelho, criado pelo psicólogo Gordon Gallup, foi o mais usado para determinar se cães e gatos eram tão autoconscientes quanto os macacos e golfinhos que facilmente se reconhecem. Ocorre que o mundo canino se baseia bastante no olfato e não havendo odor no espelho os cães podem apenas não dar importância para a imagem a sua frente.

Mesma coisa com os gatos. Difícil definir se o gato não se reconhece ou se simplesmente ignora a imagem de si mesmo como algo em que não vale a pena empregar seu tempo. Ainda assim, as reações são imprevisíveis e não seguem padrões. Existem cães que desafiam o “suposto inimigo” latindo para o espelho e gatos que se assustam ou até brincam com sua imagem refletida. Portanto, o teste do espelho foi descartado para medir o quanto os animais domésticos podiam ser autoconscientes.

O ambiente mental dos pets é certamente diferente do nosso, permeado por assimilação de imagem também de forma distinta da nossa, mas eles podem refletir sobre o que existe ao seu redor e tomar atitudes (não instintivas) baseadas no que estão sentindo fisicamente ou emocionalmente.

Foi por conta de tantas provas de que os animais podem ter emoções e consciência sobre si mesmos, que em 2012 cientistas de importantes centros de pesquisa da Europa se reuniram na famosa “Conferência de Cambridge” (Inglaterra) e assinaram uma declaração afirmando que mamíferos, aves e até alguns invertebrados possuem sistema neurológico que gera consciência.

No Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazr (Portugal), uma experiência mostrou que os cães entendem os sentimentos dos humanos e, inclusive, ficam aborrecidos ou agressivos quando vivem em um ambiente violento. Eles também reconhecem as urgências humanas ligadas a problemas de saúde ou situações de perigo e pedem ajuda imediatamente.

O estudo diz ainda que a domesticação contribui intensamente para que os cães e gatos se tornem cada vez mais inteligentes. Isso porque, assim como as crianças, quanto mais são estimulados a aprender, mas aprendem.

Outra pesquisa, realizada durante 18 anos nos EUA pelo antropólogo Brian Hare, destaca a “inteligência social” dos cães e diz que “ainda que os cachorros não sejam os animais mais inteligentes da Terra, eles são os mais capazes de interpretar os gestos das pessoas e usar isso a seu favor”.

A cadelinha Chaser, que até tem um livro, é um exemplo clássico. Ela foi foco de estudo da Wofford College (EUA). Chaser (falecida em 2019) aprendeu o nome de mais de mil objetos num período de três anos buscando-os e entregando-os conforme eram solicitados.

Chaser foi considerada o cachorro mais inteligente do mundo

Embora alguns estudos apontem cães da raça Poodle, Pastor Alemão, Border Collie e Golden Retriever como os mais inteligentes, cada vez mais fica provado que é o ambiente e o estímulo que aguçam a inteligência canina. Assim, um vira-lata bem cuidado e diariamente motivado a jogos de percepção, pode ficar bem mais inteligente que um pastor mantido sozinho e acorrentado num galpão.

E os gatos não ficam atrás no uso da inteligência para conseguirem o que querem. A cientista Karen McComb, da Universidade de Sussex (Inglaterra) conduziu pesquisa que provou que aquele miado estridente, que mais parece uma súplica, só é emitido por gatos que vivem em casas quando querem, por exemplo, comer ou beber água da torneira – não é um tipo de apelo usado pelos gatos soltos nas ruas ou na natureza.

A pesquisadora diz que os gatos aprendem a enfatizar dramaticamente um choro parecido com o de uma criança pequena porque descobrem que esse “miado histérico” leva os humanos a darem o que eles querem.

Pesquisa mostrou que os gatos domésticos podem miar de forma histérica para conseguirem o que querem, numa atitude muito parecida com a das crianças. Foto Sarah Richter/Pixabay

No cenário atual o que se sabe é que todos os seres vivos possuem algum grau de cognição e não só os humanos. Todos têm capacidade cognitiva como memória, raciocínio, linguagem e consciência do lugar que ocupam e habitam reagindo a estímulos externos além do que poderiam reagir apenas por instinto.

Por isso a Medicina Veterinária Integrativa leva em consideração a condição física e emocional dos animais analisando, inclusive, suas personalidades, onde e como vivem, para ter um quadro completo da situação que enfrentam. É uma forma de tratar cada bichinho respeitando suas peculiaridades.

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Mostrando 3 comentários
  • Rosemary polycarpo
    Responder

    Excelente matéria!… Por isso devemos sempre respeitar todos os bichos da terra…. compreender, ter sentimentos e amar,são atitudes que nós fazem ser grande na nossa vida!❤️❤️❤️

  • Karina
    Responder

    Eles são perfeitos!!! ❤️

  • Vera lucia
    Responder

    Amar sempre todos os animais, cuidar, e compreender suas atitudes. Respeito por todos.

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